Já somos 7 bilhões de consumidores, ou seja, 7 bilhões de produtores de lixo.
Charge (translated into English): 
Texto: Isis de Anils
Embora o desenvolvimento e o crescimento econômico tenham provocado uma diminuição gradual da fecundidade média no mundo, em particular devido a um aumento da expectativa de vida, não paramos de crescer e nem vamos parar tão cedo! Estimativas indicam que chegaremos aos 9,3 bilhões de habitantes em 2050.
Agora, a Terra habita uma população de 7 bilhões, sinalizada com o nascimento de uma criança na Rússia que ficou conhecida no mundo inteiro por inaugurar esse novo cenário demográfico, ao mesmo tempo em que pesquisas revelam que o Planeta já não possui mais capacidade de auto-renovação que atenda a essa demanda populacional. Thomas Malthus, economista inglês, já dizia que a produção de alimentos crescia de forma aritmética, enquanto o crescimento populacional crescia em progressão geométrica. Desta forma, concluiu que não daria para alimentar toda a superpopulação.
Esse post do Blog [ Visão X Pássaro Azzul ] não é sobre a criança que nasceu, mas sobre a humanidade com seus 7 bilhões de consumidores, ou seja, 7 bilhões de produtores de lixo. Com o aumento populacional tudo cresce também: o consumo, a produção de lixo, o desemprego, a pobreza e as contradições. De um lado, o ambiente natural está sofrendo uma exploração excessiva, que ameaça a estabilidade dos seus sistemas de sustentação. De outro lado, o resultado dessa exploração não é repartido eqüitativamente, e apenas uma minoria da população planetária se beneficia dessa riqueza.
Como sabemos, a sociedade humana não produz apenas para satisfazer necessidades biológicas. Consumir indica, também, modos de apropriar-se de bens simbólicos que alimentam identidades, corpos e mentes. Mas longe de todos os nossos títulos de respeito e merecimento, precisamos entender que cada um de nós gera um impacto sobre a Terra. Os recursos do Planeta não são ilimitados e nem tudo é de simples digestão. O excesso de gente produzindo lixo já é um problema ambiental. Nenhum de nós está fora do ciclo: consumir, digerir e expelir. A placenta e o cordão umbilical, por exemplo, são os primeiros resíduos que resultam da primeira atividade exercida pelo homem – o nascer – e o acompanha por toda sua existência até a morte, transformando-se no último resíduo do próprio homem – o cadáver. Por isso, o lixo está intrínseco e umbilicalmente ligado ao ser humano.
A maioria das pequenas campanhas verdes que se tem feito por aí, tem como fundamento obedecer a uma lógica marqueteira de boa imagem para conquistar o consumidor com seus produtos em série, mas não são capazes de sustentar uma grande mudança de consciência em nosso modo de lidar com a natureza e de senti-la. Aliás, se fôssemos educados para lidar com a natureza, nós poderíamos aprender muito coisa com ela, mas hoje a nossa conexão é outra: É a era do consumismo e da alienação (mesmo em meio a tanta informação).
Com a expansão de uma cultura global homogeneizada pelos meios de comunicação, criou-se um desejo generalizado pela cultura consumista dos países desenvolvidos. Mas o ato de consumo deve ser levado em conta quando ele representa uma ameaça para os ecossistemas e para outros grupos sociais. E esse é o caso, mas veja bem, não é deixar de consumir, pois o consumo contribui claramente para o desenvolvimento humano, quando aumenta nossas capacidades, sem afetar adversamente o bem-estar coletivo, quando é tão favorável para as gerações futuras como para as presentes, quando respeita a capacidade de suporte do planeta.
Quanto de natureza nós estamos usando, ou melhor, quanto cada um de nós está custando para o Planeta? A quantidade de natureza que cada um utiliza para se manter vivo corresponde a seu impacto ecológico, que, somado aos dos demais, indica o impacto de uma comunidade, de uma nação ou da humanidade inteira. Quando consumimos além do que a natureza pode nos oferecer, e não lhe damos condições para a regeneração de seus recursos, ameaçamos o futuro das próximas gerações. A qualidade de vida só pode ser mantida se a biosfera puder satisfazer as necessidades das pessoas sem ser desgastada. Em outras palavras, para garantir nosso futuro precisamos assegurar que o capital natural do planeta não seja debilitado, por isso, precisamos garantir que os processos e recursos da natureza sejam usados em um ritmo que permita a sua renovação, e que só eliminaremos resíduos num ritmo que possibilite a sua absorção.
Assim, em um um ambiente tão consumista como o nosso, se faz necessário medir a nossa “pegada ecológica”. A “pegada ecológica” mede quanta capacidade ecológica exploramos e até onde podemos ir. Ela pode fornecer à sociedade um método para medir o uso humano da natureza em nível global e nacional. Cada consumidor dos países industrializados consome três vezes a quantidade disponível per capita no mundo. Hoje, segundo os cálculos da pegada ecológica, a humanidade já excederia a capacidade global de carga do planeta, impondo altos custos às gerações futuras. Segundo relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no estudo divulgado pela organização não-governamental WWF, o consumo de recursos naturais já supera em 20% ao ano a capacidade do planeta de regenerá-los. Como a “pegada ecológica” analisa de forma clara nossa dependência na natureza, é provável que nos lembremos de que também somos parte da natureza, e que dividimos todos esses recursos com outras espécies. Assim poderemos, quem sabe, repensar a maneira como construímos nossas cidades, máquinas e economias.
Toda essa preocupação com o excesso populacional pode parecer absurda, afinal, Deus nos disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra. E nos enchemos. Mas esse mandamento divino está desatualizado. E não é mais divino, é nocivo! A superpopulação é uma praga, e se não a controlarmos, surgiram predadores e parasitas (doenças) que faram esse controle externo por nós, ou se não aparecerem, o descontrole continua até que acabe o alimento disponível.
Por isso, é necessário qualidade e não quantidade. E a qualidade de vida não depende apenas da dimensão econômica, mas também das dimensões social e ambiental. O verdadeiro objetivo do desenvolvimento e do crescimento econômico deve ser o de melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, permitindo-lhes a realização de uma vida digna e satisfatória. Mas o desafio é grande, como impor limites e dar educação a essa população que não pára de crescer? Nesse sentido, o ato de consumo deve ser mais do que uma simples forma de satisfação de necessidades, incorporando um elemento reflexivo com relação às suas conseqüências para os ecossistemas e para outros grupos sociais. Isso poderia produzir sentimentos de cidadania mais fortes, uma vez que os consumidores passariam a ver que suas próprias práticas, vão além do próprio umbigo, pois fazem parte de uma comunidade, de uma dimensão maior. A Conscientização maciça pelos meios de comunicação pode ser um bom começo. Mas será que as autoridades estão realmente interessadas em educar a superpopulação ou preferem se calar para continuar alimentando seus megalo-poderes?
Fontes de consulta:
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/10/31/mundo-supera-os-7-bilhoes-de-habitantes.jhtm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Malthus
Revista Senac e educação ambiental. Ano 8. n.1 – Janeiro / Abril de 1999.
Atenção: Ao usar este artigo faça referência ao autor do texto e ao endereço do blog: Visão (X): A superpopulação humana, publicado 13/11/2011 por Isis de Anils em http://visaoxpassaroazzul.blogspot.com/