“O fim do mundo será o fim da hipocrisia”
Por Isis de Anils
Fingimos viver decentemente no período, talvez, mais turbulento da história, onde acontece uma inversão de valores, principalmente, no campo da política e da religião, duas áreas do conhecimento que deveriam representar a moral social, no entanto, tem nos confundido a mente, pois a lista de escândalos políticos é imensa, foi de mensalão à mensalinho, passou por ONGs, chegando até à área da ação social. Se eu fosse citar todos os esquemas e explicar detalhadamente cada caso daria para escrever dezenas de livros. E não é só na política, é na religião também. Guerras entre seitas, por exemplo, é um conflito meramente político, na busca, advinha pelo quê? Poder, é claro, e controle de terras e pessoas. Já tivemos escândalos dos chefes da Igreja Renascer, da Universal do Reino de Deus, que já coleciona vários chinfrins, bem como a religião Católica, que omite seus casos de pedofilia, o holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial e ainda as barbaridades da Inquisição na Idade Média. Mas só em uma sociedade hipócrita é possível perpetuar um sistema gerador das mais intensas contradições. A hipocrisia já está tão impregnada no conjunto das relações humanas que agora, mais do que nunca, as palavras estão perdendo o sentido, afinal, o que é dizer a verdade, e o que é dizer mentira?
Fala-se tanto de ética sem na prática nada significar. Nós mesmos admitimos que a política corrompe, mas preferimos deixar a bola para um outro alguém se corromper, aceitando, muitas vezes calados, como se não fosse nos afetar. Vivemos um ciclo vicioso, onde falsos moralistas pregam dogmas éticos, prometendo a salvação aos pobres fiéis, enquanto amaldiçoam os filósofos e os livres no pensamento ao inferno da imoralidade. Quantos revolucionários, no passado, perderam suas vidas por não quererem se deixar levar pelos donos da verdade!?
Fazendo um paralelo da humanidade, que para as coisas boas “caminha em passos de formiga e sem vontade” com a rapidez dos acontecimentos para nos fazer, acredito eu, despertar mais rapidamente, fiquei a pensar por que a humanidade estaria caminhando para um
'apocalipse'? Afinal, estamos todos

preocupados com esse ano de 2012, sinalizado no
calendário maia como o fim de um ciclo na terra, onde ela poderá “tremer”. Concluí que, sim, talvez, o fim esteja próximo! O fim da velha ordem, pois a hipocrisia está muito intensa, e para ela começar a declinar é necessário atingir seu apogeu. Nós já estamos no seu limite. A podridão social está sendo lançada para fora, num movimento involuntário e brusco. Oras, a ira da natureza provocada por terremotos, enchentes e tsunamis é o reflexo do nosso inconsciente coletivo atormentado com sentimentos mesquinhos junto com toda a repressão que causamos para sermos “modernos” e “civilizados”, quer dizer, não-naturais.
O filme
Dogville, por exemplo, retrata uma realidade estranha da vida em sociedade. As cenas, inclusive as mais picantes, se desenrolavam em um cenário sem paredes. O diretor do filme teve a intenção de mostrar que os personagem sabiam do que se passava, mas fingiam não saber

. A política brasileira, por exemplo, é negócio e todo mundo sabe disso, mas fingimos não saber.
Em época eleitoral os nossos políticos vão as ruas, prometem tanta coisa boa, mas no fundo sabemos que eles não vão cumprir. Mas o que dizer de uma realidade onde os intelectuais são pagos para não dizer o que realmente faz sentido, apenas passar uma informação, por vezes, distorcidade, para uma massa incapaz de digerir seu excesso, pois agora com a internet e o surgimento de novos meios de comunicação temos acesso instantâneo às falhas produzidas pelo nosso sistema. Uma coisa é inversamente proporcional a esse fato, pois ao mesmo tempo em que temos o acesso rápido as últimas notícias, nós, como coletividade, ainda preferimos permanecer paralisados diante das revelações. A rapidez e a velocidade dos acontecimentos também pode causar certa passividade. É como se uma ação contrária, o conformismo, incidisse com mais intensidade que a ação evolutiva, aquilo que nos faria agir como cidadãos em meio ao absurdo.
E tudo ficou mais instantâneo. É a era do movimento, da facilidade, onde o homem se desloca rapidamente de um ponto ao outro. Agora, temos um trânsito de aviões no ar. E o nosso dia também se encurtou: de 24 horas parece que o dia passou a ter 16 horas, somente. Alguns atribuem o fenômeno à
Ressonância Schumann. Coincidência ou não, todas as nossas ações, boas ou más, estão sendo mostradas. Exemplo: nunca se viu tanta fraude em um governo. Parece até que é o mais corrupto da história. Mas calma, a corrupção é caso antigo no Brasil! A diferença é que hoje você descobre os fatos mais rapidamente. Sim, estamos começando a mostrar mais intensamente quem somos!
O clássico da literatura mundial,
Ensaio sobre a Cegueira, escrita por José de Sousa Saramago, faz uma ótima crítica aos valores humanos que acreditamos ter,

revelando o “bicho” que, na verdade, escondemos, expondo o caos absoluto a que chega a humanidade quando a maioria da população cega. Quando o autor critica as relações humanas está mostrando as facetas da sociedade. A obra de Saramago evidencia a descrença absoluta quanto ao melhoramento da humanidade, afinal, o homem é um ser extremamente complexo, onde todos querem se salvar, mas como cegos, pisam uns sobre os outros. O homem é o lobo do homem, nada mais sendo que um animal faminto guiado pelo instinto. A mulher no filme, a única que vê as situações, se reserva a sofrer silenciosamente. E o que é Deus em meio à hipocrisia humana? A presença que se obriga a ver a miséria de quem perdeu a visão? Sim, esse é o maior clássico da literatura sobre relações humanas. Em um mundo de cegos quem tem um olho está condenado a ver as desgraças da existência. Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego? O autor instiga o leitor a “olhar a visão” e, para tal tarefa, é preciso fechar os olhos. Neste contexto, a obra mostra desde aventuras sexuais, o pudor, que já não existe porque não é visto, até à imundície que se instala na cidade. O
Ensaio sobre a cegueira demonstra o quanto estamos cegos em relação ao outro e a nós mesmos.
Mas o que a sociedade deveria fazer para se tornar mais humana, mudar a forma de governo, o sistema? Nenhuma forma de governo ou sistema econômico, seja capitalista, comunista, até agora se mostrou suficientemente apta. Mas é

preciso observar que o mundo é um palco de seres se devorando, de modo que quando o mundo mostra-se como é todos ficam cegos. Na nossa sociedade ligamo-nos uns aos outros por interesse e somos capazes de comprar uns aos outros também. Até quando queremos fazer a bondade acabamos por ser contraditórios. Se o mundo, por vezes, se confunde com a
Gotham City, quem serão de fato as pessoas de bem? Aqueles que mantém a ordem estabelecida, a velha ladainha do vigilante em nome do bem ou será que a missão do curinga pode soar mais fascinante ao representar o próprio caos, a anarquia? Vivemos um período de desordem, onde fingimos ordená-lo, pois somos pobres seres rotineiros! Deixo a tarefa para o leitor repensar o mundo por uma visão mais anárquica, afinal, quem cria as regras do jogo somos nós, e a maquiagem para dribá-las também.
O sexto ciclo solar, segundo os maias, vai sinalizar uma nova caminhada para a humanidade. E o que isso quer dizer? A nova era que está para surgir não será compatível com a mentira, a malandragem. O fim do mundo é, apenas, o fim da hipocrisia. É um final que ressaltará o extremo da ignorância humana. Por isso, é preciso que tenhamos coragem para descobrir o que há por de trás do véu que nos encobre e adormece. Os novos tempos exigiram seres nem modernos e nem de “mentirinha”, mas homens e mulheres de verdade, livres de dogmas, da alienação e da hipocrisia. A libertação para o entendimento, o autoconhecimeto, um provável tema a ser debatido no Blog Visão X Pássaro Azzul. Acompanhe!