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Visão (X): A hipocrisia

maio 15th, 2012 by Isis de Anils


hipocrisia

“O fim do mundo será o fim da hipocrisia”

Por Isis de Anils

     Fingimos viver decentemente no período, talvez, mais turbulento da história, onde acontece uma inversão de valores, principalmente, no campo da política e da religião, duas áreas do conhecimento que deveriam representar a moral social, no entando, tem nos confundido a mente, pois a lista de escândalos políticos é imensa, foi de mensalão à mensalinho, passou por ONGs, chegando até à área da ação social. Se eu fosse citar todos os esquemas e explicar detalhadamente cada caso daria para escrever dezenas de livros. E não é só na política, é na religião também. Guerras entre seitas, por exemplo, é um conflito meramente político, na busca, advinha pelo quê? Poder, é claro, e controle de terras e pessoas. Já tivemos escândalos dos chefes da Igreja Renascer, da Universal do Reino de Deus, que já coleciona vários chinfrins, bem como a religião Católica, que omite seus casos de pedofilia, o holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial e ainda as barbaridades da Inquisição na Idade Média. Mas só em uma sociedade hipócrita é possível perpetuar um sistema gerador das mais intensas contradições. A hipocrisia já está tão impregnada no conjunto das relações humanas que agora, mais do que nunca, as palavras estão perdendo o sentido, afinal, o que é dizer a verdade, e o que é dizer mentira?

     Fala-se tanto de ética sem na prática nada significar. Nós mesmos admitimos que a política corrompe, mas preferimos deixar a bola para um outro alguém se corromper, aceitando, muitas vezes calados, como se não fosse nos afetar. Vivemos um ciclo vicioso, onde falsos moralistas pregam dogmas éticos, prometendo a salvação aos pobres fiéis, enquanto amaldiçoam os filósofos e os livres no pensamento ao inferno da imoralidade. Quantos revolucionários, no passado, perderam suas vidas por não quererem se deixar levar pelos donos da verdade!?

     Fazendo um paralelo da humanidade, que para as coisas boas “caminha em passos de formiga e sem vontade” com a rapidez dos acontecimentos para nos fazer, acredito eu, despertar mais rapidamente, fiquei a pensar por que a humidade estaria caminhando para um ‘apocalipse’? Afinal, estamos todos2012-calendario-maia-fim-do-mundo-21-dezembro-previsao-credito-Victor Habbick-shuttersotck-history-channel-brasil preocupados com esse ano de 2012, sinalizado no calendário maia como o fim de um ciclo na terra, onde ela poderá “tremer”. Concluí que, sim, talvez, o fim esteja próximo! O fim da velha ordem, pois a hipocrisia está muito intensa, e para ela começar a declinar é necessário atingir seu apogeu. Nós já estamos no seu limite. A podridão social está sendo lançada para fora, num movimento involuntário e brusco. Oras, a ira da natureza provocada por terremotos, enchentes e tsunamis é o reflexo do nosso inconsciente coletivo atormentado com sentimentos mesquinhos junto com toda a repressão que causamos para sermos “modernos” e “civilizados”, quer dizer, não-naturais.

     O filme Dogville, por exemplo, retrata uma realidade estranha da vida em sociedade. As cenas, inclusive as mais picantes, se desenrolavam em um cenário sem paredes. O diretor do filme teve a intenção de mostrar que os personagem sabiam do que se passava, mas fingiam não saberdogville-filme-t2. A política brasileira, por exemplo, é negócio e todo mundo sabe disso, mas fingimos não saber. Em época eleitoral os nossos políticos vão as ruas, prometem tanta coisa boa, mas no fundo sabemos que eles não vão cumprir. Mas o que dizer de uma realidade onde os intelectuais são pagos para não dizer o que realmente faz sentido, apenas passar uma informação, por vezes, distorcidade, para uma massa incapaz de digerir seu excesso, pois agora com a internet e o surgimento de novos meios de comunicação temos acesso instantâneo às falhas produzidas pelo nosso sistema. Uma coisa é inversamente proporcional a esse fato, pois ao mesmo tempo em que temos o acesso rápido as últimas notícias, nós, como coletividade, ainda preferimos permanecer paralisados diante das revelações. A rapidez e a velocidade dos acontecimentos também pode causar certa passividade. É como se uma ação contrária, o conformismo, incidisse com mais intensidade que a ação evolutiva, aquilo que nos faria agir como cidadãos em meio ao absurdo.

     E tudo ficou mais instantâneo. É a era do movimento, da facilidade, onde o homem se desloca rapidamente de um ponto ao outro. Agora, temos um trânsito de aviões no ar. E o nosso dia também parece que encurtou, de 24 horas parece que o dia passou a ter 16 horas, somente. Alguns atribuem o fenômeno à Ressonância Schumann. Coincidência ou não, todas as nossas ações, boas ou más, estão sendo mostradas. Exemplo: nunca se viu tanta fraude em um governo. Parece até que é o mais corrupto da história. Mas calma, a corrupção é caso antigo no Brasil! A diferença é que hoje você descobre os fatos mais rapidamente. Sim, estamos começando a mostrar mais intensamente quem somos!

     O clássico da literatura mundial, Ensaio sobre a Cegueira, escrita por José de Sousa Saramago, faz uma ótima crítica aos valores humanos que acreditamos ter, ensaio sobre a cegueirarevelando o “bicho” que, na verdade, escondemos, expondo o caos absoluto a que chega a humanidade quando a maioria da população cega. Quando o autor critica as relações humanas está mostrando as facetas da sociedade. A obra de Saramago evidencia a descrença absoluta quanto ao melhoramento da humanidade, afinal, o homem é um ser extremamente complexo, onde todos querem se salvar, mas como cegos, pisam uns sobre os outros. O homem é o lobo do homem, nada mais sendo que um animal faminto guiado pelo instinto. A mulher no filme, a única que vê as situações, se reserva a sofrer silenciosamente. E o que é Deus em meio à hipocrisia humana? A presença que se obriga a ver a miséria de quem perdeu a visão? Sim, esse é o maior clássico da literatura sobre relações humanas. Em um mundo de cegos quem tem um olho está condenado a ver as desgraças da existência. Se tu pudesses ver o que eu sou obrigada a ver, quererias estar cego? O autor instiga o leitor a “olhar a visão” e, para tal tarefa, é preciso fechar os olhos. Neste contexto, a obra mostra desde aventuras sexuais, o pudor, que já não existe porque não é visto, até à imundície que se instala na cidade. O Ensaio sobre a cegueira demonstra o quanto estamos cegos em relação ao outro e a nós mesmos.

     Mas o que a sociedade deveria fazer para se tornar mais humana, mudar a forma de governo, o sistema? Nenhuma forma de governo ou sistema econômico, seja capitalista, comunista, até agora se mostrou suficientemente apta. Mas é Batman - cavaleiro das trevaspreciso observar que o mundo é um palco de seres se devorando, de modo que quando o mundo mostra-se como é todos ficam cegos. Na nossa sociedade ligamo-nos uns aos outros por interesse e somos capazes de comprar uns aos outros também. Até quando queremos fazer a bondade acabamos por ser contraditórios. Se o mundo, por vezes, se confunde com a Gotham City, quem serão de fato as pessoas de bem? Aqueles que mantém a ordem estabelecida, a velha ladainha do vigilante em nome do bem ou será que a missão do curinga pode soar mais fascinante ao representar o próprio caos, a anarquia? Vivemos um período de desordem, onde fingimos ordená-lo, pois somos pobres seres rotineiros! Deixo a tarefa para o leitor repensar o mundo por uma visão mais anárquica, afinal, quem cria as regras do jogo somos nós, e a maquiagem para dribá-las também.

     O sexto ciclo solar, segundo os maias, vai sinalizar uma nova caminhada para a humanidade. E o que isso quer dizer? A nova era que está para surgir não será compatível  com a mentira, a malandragem. O fim do mundo é, apenas, o fim da hipocrisia. É um final que ressaltará o extremo da ignorância humana. Por isso, é preciso que tenhamos coragem para descobrir o que há por de trás do véu que nos encobre e adormece. Os novos tempos exigiram seres nem modernos e nem de “mentirinha”, mas homens e mulheres de verdade, livres de dogmas, da alienação e da hipocrisia. A libertação para o entendimento, o autoconhecimeto,  um provável tema a ser debatido no Blog Visão X Pássaro Azzul. Acompanhe!

Visão (X) entrevista: Raul Seixas

março 13th, 2012 by Isis de Anils

 Raul Seixas, “essa estátua-morfose

perambulante”, nos semáforos de Brasília.


Amarildo AlvesDe segunda a sexta-feira, para sustentar a mulher e os dois filhos, Amarildo Alves sai da Ceilândia  para perambular  os semáforos de Brasília. Quando o sinal de trânsito fecha, é a hora dele virar estátua. Qualquer moeda é bem-vinda, mas o que mais interessa a esse homem é o olhar profundo das pessoas sobre a sua arte. Às vezes, ele surge no sinal pintado em azul, outras, em verde. Passados dois anos interpretando a estátua viva de Raul Seixas, aparece agora  um pouco desbotado, é verdade, mas está mais pérola do que nunca!

Amarildo Alves é só mais um dos vários artistas de rua que sobrevivem da mendicância. E a falta de políticas públicas definitivas para beneficiar artistas como ele, mais o desvio constante de verbas da cultura para outros fins, são indícios de que a política e a arte não combinam na capital, sinal de que o semáforo ainda vai permanecer fechado para muitos artistas.

Isis de Anils – Quando veio para Brasília e por que escolheu esse lugar para “ganhar a vida”?

Amarildo AlvesAmarildo Alves - Eu vim em 91. Escolhi Brasília por vários motivos. Primeiro, eu tinha vários planos na vida e estava meio perdido, não sabia que rumo tomar… Mas eu queria fazer psicologia. Um dos meus vícios é ler. Eu leio muito filosofia, psicologia… Aí eu pensava que a UNB seria uma boa, né? Além disso, gostava de Brasília, da história da capital e de como ela foi criada. E também porque era a capital do Rock e eu gosto muito de Rock e tinha a intenção de formar uma banda, e aí eu pensei: “Lá deve ser o melhor lugar para encontrar as pessoas certas”. Mas aí a banda se dissolveu. Agora, eu resolvi colocar na internet e estão sendo bem acessadas as músicas. Por isso, quero recomeçar.

Isis de Anils - E quando chegou aqui, se decepcionou com a capital?

Amarildo Alves – Não, tanto que estou aqui até hoje! Já dei a volta ao mundo, fui até Barcelona (Espanha), e acabei voltando.

Isis de Anils - Sua mulher e seus dois filhos o apóiam nesse trabalho?

Amarildo Alves -  Meus filhos são pequenos e eles não se importaAmarildo Alvesm muito. Minha mulher queria que eu arrumasse um trabalho melhor, uma coisa mais aceita pela sociedade, não uma coisa tão que parece que tá quase perto da mendicância!

Isis de Anils - E está satisfeito em ser artista de rua?

Amarildo Alves – Toma muito tempo e eu chego em casa muito cansado, não dá tempo de fazer quase nada. Eu queria fazer uma coisa mais tranqüila, que sobrasse tempo para eu me dedicar à banda.

Isis de Anils – Tem orgulho do que faz?

Amarildo Alves – Não muito.

Isis de Anils – Por quê?Amarildo Alves

Amarildo Alves – Olha, às vezes sim, passam muitas pessoas elogiando, dizem que eu sou um artista, mas eu tenho muito trabalho em me ver como um artista que faz estátua. Realmente é uma coisa que tá próxima da mendicância porque você está pedindo. Na verdade eu nem peço, eu passo no meio dos carros com o chapéu, nunca paro em nenhum carro e peço nada pra ninguém, quem quiser, abre a janela do carro e me dá o dinheiro. Às vezes eu procuro não pensar muito no assunto, porque se eu parar para pensar, eu penso: “Cara, que ridículo, eu parado aqui no meio da rua, pintado!”. É bom não pensar muito.

Isis de Anils - Tem outro ofício, além do trabalho como artista de rua? Salvador Dalí

Amarildo Alves – Eu já trabalhei de quase tudo na vida. Já fui cobrador de ônibus aqui em Brasília. E quando aparece um trabalho de pintura eu faço. Sei pintar quadros. Em Barcelona eu pintava muito e vendia muito. Aqui não se vende muito, mas quando alguém  encomenda, aí eu faço…

Isis de Anils – Como era o trabalho em Barcelona?

Amarildo Alves – Então, em Barcelona eu fiquei oito meses trabalhando como artista. Lá eu fazia a estátua do Salvador Dalí e também copiava os quadros dele. Às vezes, eu modificava um pouco, colocava alguma coisa minha para torná-lo ainda mais surrealista. E assinada como Salvador Dalí por Amarildo.

Salvador Dalí    Salvador Dalí     Salvador Dalí

Isis de Anils – Brasília é o lugar mais recepetivo para ser artista de rua?

Amarildo Alves – Tem muitos aqui, argentinos em sua maioria, que já viajaram por toda a América Latina. Dizem que o melhor lugar é o Brasil. E das cidades brasileiras, Brasília é uma das melhores principalmente por causa da forma da cidade. W3 sul e norte é uma via principal, e tem muitos semáforos que dão acesso a ela, e são mais demorados…

Isis de Anils – Já que aprecia a boa leitura, gostaria de saber quais seus autores prediletos?

Amarildo Alves – Eu li muito sobre o pai da psicologia, Freud. Como eu viajo muito e livro pesa, eu sempre vou deixando na casa dos amigos toneladas de livros. Em Barcelona eu deixei muitos que não poderia trazer para cá. Eu adoro livros mais antigos na área da psicologia, pois são mais profundos. Agora os livros da atualidade são mais de auto-ajuda, aí fica uma coisa mais simplificada e não como antigamente.

Isis de Anils – Quanto ganha por dia e  fatura por mês como artista de rua?

AmarildoAmarildo Alves – Depende do mês e de quantos dias você trabalha. Eu trabalho de segunda a sexta porque cansa. Agora no início do ano é mais difícil. No final do ano, de novembro a dezembro são os melhores meses. Mas esse ano não foi tanto porque choveu demais. E na época da seca é ruim por causa do calor. Mas o calor dá para agüentar, a chuva é que não dá para ficar. Mas nunca tem uma quantidade certa, às vezes dá para tirar 100 reais no dia. Isso se eu trabalhar o dia inteiro, sem chuva, nem interrupção. Não dá para viver com luxo, mas dá para pagar o aluguel e as despesas em geral.

Isis de Anils – No que pensa enquanto permanece como estátua nos semáforos de Brasília?

Raul SeixasAmarildo Alves – Primeiro eu fico contando o tempo que falta para o semáforo abrir. Quando faltam 20 segundos é a hora de eu descer. Às vezes eu penso em tantas coisas. Se eu estou com algum problema, preocupado, não consigo parar de pensar nisso. E, às vezes, vago mesmo, vou para bem longe. Eu até perco o tempo. Quando eu percebo o semáforo abriu e eu me esqueci de descer.

Isis de Anils – Quando o trabalho como artista de rua lhe é prazeroso?

Amarildo Alves – Quando eu vejo que as pessoas estão gostando, quando as pessoas passam e elogiam, mas não exatamente quando me dão dinheiro. Uma mulher me falou um dia desses que ela relaxa só de me ver. Ela fala que a minha serenidade transmite a ela paz também. Assim, é um momento de paz que ela senteAmarildo esperando o sinal abrir. Além disso, as crianças gostam muito. Gritam, acenam, dão tchau e me veem de uma forma diferente, como alguém de um filme ou de um desenho animado, e isso é muito positivo.

Isis de Anils – E quando esse ofício se torna desgastante?

Amarildo Alves – O cansaço físico é muito grande. O sol é muito desgastante também. E outra, eu não agrado a todo mundo. Passam muitas pessoas xingando, mandando eu procurar trabalho. Palavrões de todo o tipo eu já escutei aqui, e muitos insultos também!

Isis de Anils – Bem, a próxima pergunta era relacionada à cor azul, mas como  mudou de cor…

RaulseixismoAmarildo Alves – Era azul, fui para o verde, fiquei de prata uns dois dias, aí parei, pois esquenta muito! Agora eu errei a mão, não era para ser bege, era para ser um branco meio pérola, mas aí eu errei na dose do corante e ficou muito bege, mas eu vou clareando mais um pouco para ficar quase branco.

Isis de Anils – Que produto usa para pintar a pele? Quanto tempo gasta para se pintar?

Amarildo Alves – Tinta de parede normal. E o rosto é com pasta d’água. Com o azul eu gastava 20 minutos, agora chego até 40 minutos, porque eu tenho de passar duas vezes, retocar, pois a tinta não tá pegando bem, sempre ficam falhas.

Isis de Anils – Além de se parecer fisicamente com Raul Seixas, no que mais se assemelha a ele?

Amarildo Alves – Quase tudo! Na forma de pensar, de gostar de Rock, de ver a vida de uma forma diferente. De fazer as coisas sem pensar muito em seguir as regras impostas pela sociedade.

Isis de Anils – E por que, no meio de tantos, escolheu justamente o personagem Raul Seixas?

Amarildo Alves – Então, antes eu queria fazer o Juscelino Kubitschek. Mas eu nãoAmarildo Alves me pareço muito fisicamente com ele. Aí, eu queria fazer o arco do memorial JK e ficar dentro. Só que transportar todo dia esse arco seria um grande problema. Eu já cheguei a fazer o homem triste. Ao invés do violão eu segurava um coração partido, sangrando. Mas aí eu deixei a barba crescer uns dias e começaram a me chamar de Raul Seixas. E eu nem sabia que parecia com ele. Daí eu convenci a minha mulher a me emprestar o violão dela, então, eu detonei ele e transformei para ficar mais rústico. Assim, assumi o Raulseixismo.  Inclusive tem uma música da minha banda que eu fiz em homenagem a ele.

Isis de Anils – Em entrevista ao Correio Brasiliense, disse que compõe músicas de rock carregadas de muitos palavrões. Tendo em vista que nós estamos na capital do rock, e um dos maiores problemas que Brasília enfrenta hoje é com relação à corrupção, isso o influencia na hora de compor suas canções?

Amarildo Alves – Algumas têm haver com política sim. Eu tento não deixar que influencie, porque  no final penso que fiz alguma coisa legal, mas com o tempo, volto a rever e acho que tá muito rancoroso. Porque pensar em políticos não sai coisas boas, só porcaria! Tinha uma música minha em homenagem ao já falecido Antônio Carlos Magalhães. Inclusive, hoje, eu tenho até pena, eu falava tão mal dele, mas vejo que ele não era tão mau assim se comparado aos políticos de hoje, dessa quadrilha que é o PT.

Isis de Anils – Na sua opinião, Brasília já foi, ou está muito longe de ser a “capital da esperança”?

Amarildo Alves – Eu nunca pensei no significado dessa frase. Esperança de quê? Para os moradores da cidade ou para o país? Se for para o país, eu não tenho muita esperança. Com esse governo acho difícil mudar alguma coisa. Eles já tomaram para si o país. Não são mais donos do poder, são donos do país mesmo. Não tem mais a quem recorrer e a quem denunciar, pois eles estão em todos os lugares.

Isis de Anils – O que gostaria que os motoristas percebessem em você quando param no sinal? Amarildo Alves

Amarildo Alves – Eu queria mostrar um contraste. No meio do caos desse trânsito, alguém se encontra completamente desligado de tudo o que acontece ao redor, imerso em uma paz e em uma tranqüilidade tamanha que não se move fisicamente, nem se estressa com nada. E ao mesmo tempo retransmitir essa paz para os outros que, por ventura, estejam estressados, cansados da vida.

Isis de Anils – O que gostaria de falar para as autoridades do setor cultural de Brasília que muito provavelmente estão sentadas em seus gabinetes com o ar condicionado ligado, enquanto você se encontra  de pé, nesse sol, vivenciando essa poética realidade?

Amarildo Alves – Por coincidência, semana passada, eu estava trabalhando na L2 Sul, quando parou em frente ao semáforo um carro todo preto de vidros escuros com uma placa escrita: Ministra da Cultura. Eu passei e logo o carro buzinou. Eu voltei e o motorista dela abriu só um pouquinho a janela do carro e me deu uma moeda, subiu o vidro novamente e foi embora. Eu ia falar com ela, mas não deu para ver se estava lá.

Isis de Anils – E era de quanto a moeda?

*Amarildo, prestes a rir, cochichou em meu ouvido:

Amarildo Alves – (50) Cinquenta centavos.

Para conhecer a banda de Amarildo Alves acesse o site: http://palcomp3.com/rapina/

Ei você, Mulher! É a Era das Deusas

janeiro 6th, 2012 by Isis de Anils
A mulher

Autor: Isis de Anils. Clique na imagem para ampliá-la.


Por Isis de Anils

A imagem de fragilidade e submissão sempre esteve associada à mulher. Entretanto, a fraqueza natural da mulher sabemos hoje, é uma ficção. Não se sustenta nem física, nem psicologicamente.

Mas, no passado, a mulher carregou um fardo muito pesado. Se livre e pública era tratada e apelidada como prostituta. Não tinham lugar no mundo da política, não tinham lugar fora de casa, a não ser nos salões e nos teatros elegantes. Hoje a participação das mulheres em todos os setores da vida pública, principalmente na política e nos negócios teve um aumento considerável . Agora elegemos presidentas. Mas a mulher do presente ainda carrega as seqüelas do passado. A exposição do corpo e da figura feminina como objeto sexual, nas revistas masculinas, nos comerciais de TV, nas letras de música cujos adjetivos lamentáveis de piriguetes, safadonas, cachorras, mulheres melancia, refletem uma mentalidade machista que ainda não conseguimos nos desvencilhar. No Zohar, por exemplo, uma obra cabalística do século XII escrita por homens, vemos um Deus que criou lilith, a primeira mulher, do mesmo modo que havia criado Adão, só que, segundo a obra, ele usou sujeira e sedimento impuro para ela em vez de pó ou terra como fez para ele. Esse é um dos vários exemplos de preconceitos contra o gênero feminino que foi sustentado principalmente por sistemas religiosos organizados em torno de valores masculinos. São Tomás de Aquino, por exemplo, dizia que a mulher era um ser acidental e falho e que seu destino é o de viver sob a tutela de um homem. No século V, Santo Agostinho foi mais longe ainda declarando que as mulheres não tinham alma. No Malleus Maleficarum encontramos a seguinte afirmação: “Quando uma mulher pensa sozinha, ela pensa maldades”. Para o mito judaico-cristão, a mulher é a responsável, a grande portadora do “pecado original”, por isso, tudo que vem do corpo e do desejo feminino é “errado”, “sujo” e “pecaminoso”. Os eruditos medievais chegaram a debater se elas não precisariam primeiro ser transformadas em homens, pela mão de Deus, para poderem estar em condições de aspirar ao céu no dia da ressurreição. Até em congressos de ginecologia, no início do século, foi seriamente debatida a questão de se as mulheres teriam ou não sensações sexuais. Esse foi o tempo em que a mulher deveria ser evitada, e com ela toda interioridade de ser no mundo, que é o reino do feminino, foi também rejeitada. Mas nós ainda sofremos as conseqüências dessa negação.

O que aconteceu na história da humanidade foi a completa desvalorização do feminino e a super valorização do ego patriarcal incorporada tanto por homens quanto por mulheres.

Mesmo em algumas ocasiões quando o poder foi exercido por mulheres, esse poder foi exercido segundo valores masculinos. Se assim não fosse, essa imagem jamais poderia ter-se mantido como padrão cultural tão duradouro. E nós ainda continuamos a construir o mundo em cima de valores masculinos baseados na racionalidade científica, no materialismo e  na cultura tecnológica. Um mundo onde a tradicional forma patriarcal do matrimonio, preferida por Adão, na qual o homem sustenta as qualidades masculinas de atividade e domínio, enquanto a mulher sustenta as qualidades femininas da dependência e submissão, trouxe como resultado a opressão da mulher e seu encarceramento, impedindo-a de tornar-se ela mesma. As conseqüências desse mundo que nega o feminino é o vazio, é o homem sem sensibilidade e a mulher insegura. O homem ficou reduzido à cobiça material, ao hedonismo, ao consumismo. Já as conseqüências para as mulheres trouxeram-lhes a posição desvantajosa nos jogos de competição e poder. Acabaram se sentindo alienadas de si mesmas cada vez mais reprimidas.

Com o advento do patriarcado, o poder da vida e morte tornou-se uma prerrogativa do Deus masculino, enquanto a sexualidade e a mágica foram separadas da procriação e da maternidade.

Nossa civilização perdeu a sabedoria dos povos antigos, perdeu o entendimento e conhecimento dos nórdicos, o  povo celta, que consideravam como divindade máxima, a Deusa Mãe. É até um absurdo estar falando sobre isso, muitos não vão compreender, muito menos aceitar, mas o objetivo desse post do Visão X Pássaro Azzul é mostrar a realidade das coisas para o público questionador, para as mentes inquietas irem a fundo na questão e pesquisarem também… Portanto, naquela época, a mulher era exaltada, era soberana no domínio das forças da natureza, onde o reino estendia-se pelo céu, pela terra e pelo mundo inferior, onde as forças da sexualidade, do nascimento, da vida e da morte, do mágico ciclo da vida eram, originalmente, governados pela grande deusa, com respeito à fertilidade, às águas, aos ciclos e ao cosmos.

Os povos do Paleolítico deixaram para nós as estatuetas de Vênus e o culto universal à serpente como prova e evidência de uma religião matriarcal desde a pré-história até as civilizações antigas do politeísmo pré-helênico, cujo culto universal da serpente era o símbolo fundamental da sabedoria, da fertilidade, da vida e da força.

Assim fica o questionamento, será que o matriarcado das civilizações antigas pagãs, que também abrangeram o Antigo Egito, foram destruídas pelo patriarcalismo Indo-Europeu?  A cultura patriarcal precisou reprimir, gerar o aspecto maligno do feminino. As mulheres passam, portanto, a serem vistas como as filhas de Eva, a tentadora, ou da demoníaca Lilith. Por conseguinte, as mulheres precisavam ser mantidas em posições subordinadas, quando não contidas em haréns ou escondida atrás de mantos, véus. A feminilidade deveria limitar-se a uma passividade obediente, à domesticidade e à maternidade. As próprias mulheres foram obrigadas a aprender a desconfiar das ondas de suas emoções, e a suspeitar das vozes que vinham do interior de seus corpos. De toda a ampla gama de manifestações da grande Deusa, só a etérea virgem Maria era aceitável ao ocidente cristão.

Mas a memória perdida da grande deusa ficou na inconsciência coletiva dos pintores positivistas franceses que inovaram na tentativa de utilizar a figura feminina como alegoria cívica e como símbolo de mudança na forma de se governar. Comte chegou ao ponto de especificar o tipo feminino que deveria representar a humanidade: uma mulher de trinta anos, sustentando um filho nos braços. Assim, o imaginário republicano francês, para representar a República, chegou a introduzir a figura feminina como símbolo também nas moedas, na arma e nos selos postais. Por acaso? Não! Em uma época aonde a monarquia representava naturalmente a figura do rei, novos símbolos faziam-se necessários para representar novos ideais, como em Roma onde a mulher já era símbolo da liberdade. Assim, na terceira república a alegoria feminina passa a dominar a simbologia cívica francesa, representando seja a liberdade, seja a revolução, seja a república. O quadro de Delacroix, obra-prima da pintura universal, intitulado A liberdade guiando o povo, mostra-nos a liberdade representada por uma figura de mulher de traços populares. Mas apenas o ideal republicano foi representado pela mulher, a prática política era exercida por homens, somente.

Não ocorreu aos escritores, nem aos pintores do Brasil representar a pátria como mulher, ou seja, como índia. As índias de nossos pintores nada tinham a ver com a nação. Seria isso devido à presença de um monarca à frente do governo, ao patriarcalismo? A questão é: se copiavam os europeus em tantas coisas, por que não podiam os pintores brasileiros copiar também a tradição francesa de representar a República como mulher? Os obstáculos ao uso da alegoria feminina eram aparentemente intransponíveis. Ela falhava dos dois lados, do significante, no qual a República se mostrava longe dos sonhos de seus idealizadores, e do significante, no qual inexistia a mulher cívica.

Mas eis que, das profundezas da alma universal, a Deusa começa a surgir, uma fagulha daquele passado, apagado da memória coletiva, começa a vir à tona. A Deusa criadora que representa o conhecimento, a criatividade humana, a sexualidade, a reprodução, os novos ciclos dos novos tempos, surge mostrando a energia feminina unificada, que os mais sensíveis começam a perceber e a agir em prol dela, que, independentemente de ser homem ou mulher, se manifesta em meio as nossas turbulências causadas pela nossa ignorância social, para exercemos o poder de servir e não o de oprimir, para clamarmos por justiça em meio a tantas injustiças que o mundo desigual gera,  para desejarmos a partilha e a fraternidade numa sociedade em que todos procuram levar vantagem sobre o outro. E ela se manifesta na preocupação com a natureza, na universalidade e cooperação entre os povos, no tempo não-lógico, nas tecnologias não-agressivas, nos grupos pacifistas, na medicina alternativa, no trabalho voluntário, nas lutas das minorias. Essa é a nova era, o despertar da deusa adormecida, uma nova forma de consciência, de percepção da realidade e da matéria. Assim, essa energia feminina se faz presente, ela vive em contato com o mistério de tornar-se, do nascimento que é o mesmo que a morte.

E as mulheres têm essa propriedade, esse poder de lidar com os dois lados, o lado Eva e o lado Lilith. Eva é o lado feminino institivo que nutre a vida, enquanto lilith é o seu lado oposto, aquele que lida com a morte.

Uma mulher vive os lados Eva e Lilith de sua natureza no fluxo e refluxo do seu ciclo menstrual. As forças de Eva, mãe de todos os viventes, e de Lilith, espírito da noite e do ar, evidenciam-se no conflito das mulheres entre, de um lado, dar a luz e cuidar dos filhos, e, de outro, entre a necessidade de gerar e nutrir idéias e obras. As mulheres combinam maternidade e carreira profissional, se envolvem num ato contínuo de malabarismo, que requer sincronia e equilíbrio. O que mais dizer sobre a mulher? Simplesmente que são muito mais que os piores e os melhores adjetivos masculinos. São todas mães, ativas ou inativas.

São sacerdotisas. Quando a feminilidade for assumida no mundo como algo essencial, as sacerdotisas poderão brincar de dançar com Artemis, seduzir como Afrodite, domesticar como Vesta, ser maternal como Deméter. Como Athena pode incentivar a civilização e as artes e ofícios, ou interessar-se pelo conforte e alívio da miséria como Maria. Essas são algumas das inúmeras faces da grande deusa.

A mulher precisa compreender do que foi feita, ir além dos véus e rótulos que as domesticaram e as encobriram por séculos. Assim, quem sabe, essas verdadeiras deusas mais seguras poderão dar a luz a uma nova civilização de seres verdadeiramente humanos. Serão como a liberdade, do quadro de Delacroix, a guiar o povo.

Mas não se enganem. A chave para um mundo harmonioso é para ambos os sexos. Nenhum sexo é melhor que o outro, ambos se completam. Daí resulta no equilíbrio. A Deusa interior é o princípio feminino, a energia arquetípica que cada um de nós carrega dentro de si. E os homens não precisam se sentir ameaçados com essa força, eles precisam aprender a incorporar esse princípio feminino para trazer mais harmonia e menos competição ao mundo. E é isso mesmo. São as deusas que iniciam os deuses nos caminhos do coração, no encontro consigo mesmo, não o contrário, do contrário dá zebra, aliás, deu zebra!

Fontes de consulta:

Barbara Black Koltuv, O livro de Lilith, psicologia/mitologia. Cultrix. São Paulo.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estatuetas_de_V%C3%AAnus

http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_matriarcal

http://pt.wikipedia.org/wiki/Religi%C3%A3o_matriarcal

Recomendo às mentes inquietas: Quando Deus era uma mulher. Autora: Merlin Stone http://www.amazon.com/When-God-Woman-Merlin-Stone/dp/015696158X

A Razão da Cruz

novembro 28th, 2011 by Isis de Anils
espaço
espaço
espaço
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a cruz 3

Deus, é muito pesada… Por favor, deixa eu cortar um pedacinho… 

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a cruz 6

a cruz 7

Deus, por favor, só mais um pedacinho… Estarei apto a carregá-la melhor…

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Deus, muito obrigado…

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Vamos usá-las como ponte e atravessar…

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É pequena demais, não posso atravessar…

a cruz 14

Moral da história:

Muitas vezes queremos nos livrar da “cruz” que nos é dada.
Mas para tudo tem um ‘para quê’ e um ‘por quê’…

Se formos abreviar estes caminhos, certamente teremos problemas!

Visão (X): A superpopulação humana

novembro 13th, 2011 by Isis de Anils

Somos 7 bilhões de consumidores, ou seja, 7 bilhões de produtores de lixo.

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7Bilhõesdehabitantes

Charge: Isis de Anils. Clique na imagem para ampliá-la.

Charge (translated into English): 7billionpeople

Texto: Isis de Anils

Embora o desenvolvimento e o crescimento econômico tenham provocado uma diminuição gradual da fecundidade média no mundo, em particular devido a um aumento da expectativa de vida, não paramos de crescer e nem vamos parar tão cedo! Estimativas indicam que chegaremos aos 9,3 bilhões de habitantes em 2050. Agora, a Terra habita uma população de 7 bilhões, sinalizada com o nascimento de uma criança na Rússia que ficou conhecida no mundo inteiro por inaugurar esse novo cenário demográfico, ao mesmo tempo em que pesquisas revelam que o Planeta já não possui mais capacidade de auto-renovação que atenda a essa demanda populacional. Thomas Malthus, economista inglês, já dizia que a produção de alimentos crescia de forma aritmética, enquanto o crescimento populacional crescia em progressão geométrica. Desta forma, concluiu que não daria para alimentar toda a superpopulação.

Esse post do Blog [ Visão X Pássaro Azzul ] não é sobre a criança que nasceu, mas sobre a humanidade com seus 7 bilhões de consumidores, ou seja, 7 bilhões de produtores de lixo. Com o aumento populacional tudo cresce também: o consumo, a produção de lixo, o desemprego, a pobreza e as contradições. De um lado, o ambiente natural está sofrendo uma exploração excessiva, que ameaça a estabilidade dos seus sistemas de sustentação. De outro lado, o resultado dessa exploração não é repartido eqüitativamente, e apenas uma minoria da população planetária se beneficia dessa riqueza.

Como sabemos, a sociedade humana não produz apenas para satisfazer necessidades biológicas. Consumir indica, também, modos de apropriar-se de bens simbólicos que alimentam identidades, corpos e mentes. Mas longe de todos os nossos títulos de respeito e merecimento, precisamos entender que cada um de nós gera um impacto sobre a Terra. Os recursos do Planeta não são ilimitados e nem tudo é de simples digestão. O excesso de gente produzindo lixo já é um problema ambiental. Nenhum de nós está fora do ciclo: consumir, digerir e expelir. A placenta e o cordão umbilical, por exemplo, são os primeiros resíduos que resultam da primeira atividade exercida pelo homem – o nascer – e o acompanha por toda sua existência até a morte, transformando-se no último resíduo do próprio homem – o cadáver. Por isso, o lixo está intrínseco e umbilicalmente ligado ao ser humano.

A maioria das pequenas campanhas verdes que se tem feito por aí, tem como fundamento obedecer a uma lógica marqueteira de boa imagem para conquistar o consumidor com seus produtos em série, mas não são capazes de sustentar uma grande mudança de consciência em nosso modo de lidar com a natureza e de senti-la. Aliás, se fôssemos educados para lidar com a natureza, nós poderíamos aprender muito coisa com ela, mas hoje a nossa conexão é outra: É a era do consumismo e da alienação (mesmo em meio a tanta informação).

Com a expansão de uma cultura global homogeneizada pelos meios de comunicação, criou-se um desejo generalizado pela cultura consumista dos países desenvolvidos. Mas o ato de consumo deve ser levado em conta quando ele representa uma ameaça para os ecossistemas e para outros grupos sociais. E esse é o caso, mas veja bem, não é deixar de consumir, pois o consumo contribui claramente para o desenvolvimento humano, quando aumenta nossas capacidades, sem afetar adversamente o bem-estar coletivo, quando é tão favorável para as gerações futuras como para as presentes, quando respeita a capacidade de suporte do planeta.

Quanto de natureza nós estamos usando, ou melhor, quanto cada um de nós está custando para o Planeta? A quantidade de natureza que cada um utiliza para se manter vivo corresponde a seu impacto ecológico, que, somado aos dos demais, indica o impacto de uma comunidade, de uma nação ou da humanidade inteira. Quando consumimos além do que a natureza pode nos oferecer, e não lhe damos condições para a regeneração de seus recursos, ameaçamos o futuro das próximas gerações. A qualidade de vida só pode ser mantida se a biosfera puder satisfazer as necessidades das pessoas sem ser desgastada. Em outras palavras, para garantir nosso futuro precisamos assegurar que o capital natural do planeta não seja debilitado, por isso, precisamos garantir que os processos e recursos da natureza sejam usados em um ritmo que permita a sua renovação, e que só eliminaremos resíduos num ritmo que possibilite a sua absorção.

Assim, em um um ambiente tão consumista como o nosso, se faz necessário medir a nossa “pegada ecológica”. A “pegada ecológica” mede quanta capacidade ecológica exploramos e até onde podemos ir. Ela pode fornecer à sociedade um método para medir o uso humano da natureza em nível global e nacional. Cada consumidor dos países industrializados consome três vezes a quantidade disponível per capita no mundo. Hoje, segundo os cálculos da pegada ecológica, a humanidade já excederia a capacidade global de carga do planeta, impondo altos custos às gerações futuras. Segundo relatórios do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), no estudo divulgado pela organização não-governamental WWF, o consumo de recursos naturais já supera em 20% ao ano a capacidade do planeta de regenerá-los. Como a “pegada ecológica” analisa de forma clara nossa dependência na natureza, é provável que nos lembremos de que também somos parte da natureza, e que dividimos todos esses recursos com outras espécies. Assim poderemos, quem sabe, repensar a maneira como construímos nossas cidades, máquinas e economias.

Toda essa preocupação com o excesso populacional pode parecer absurda, afinal, Deus nos disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra. E nos enchemos. Mas esse mandamento divino está desatualizado. E não é mais divino, é nocivo! A superpopulação é uma praga, e se não a controlarmos, surgiram predadores e parasitas (doenças) que faram esse controle externo por nós, ou se não aparecerem, o descontrole continua até que acabe o alimento disponível.

Por isso, é necessário qualidade e não quantidade. E a qualidade de vida não depende apenas da dimensão econômica, mas também das dimensões social e ambiental. O verdadeiro objetivo do desenvolvimento e do crescimento econômico  deve ser o de melhorar a qualidade de vida dos seres humanos, permitindo-lhes a realização de uma vida digna e satisfatória. Mas o desafio é grande, como impor limites e dar educação a essa população que não pára de crescer? Nesse sentido, o ato de consumo deve ser mais do que uma simples forma de satisfação de necessidades, incorporando um elemento reflexivo com relação às suas conseqüências para os ecossistemas e para outros grupos sociais. Isso poderia produzir sentimentos de cidadania mais fortes, uma vez que os consumidores passariam a ver que suas próprias práticas, vão além do próprio umbigo, pois fazem parte de uma comunidade, de uma dimensão maior. A Conscientização maciça pelos meios de comunicação pode ser um bom começo. Mas será que as autoridades estão realmente interessadas em educar a superpopulação ou preferem se calar para continuar alimentando seus megalo-poderes?

Fontes de consulta:

http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/afp/2011/10/31/mundo-supera-os-7-bilhoes-de-habitantes.jhtm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Malthus

Revista Senac e educação ambiental. Ano 8. n.1 – Janeiro / Abril de 1999.

 

Atenção: Ao usar este artigo faça referência ao autor do texto e ao endereço do blog: Visão (X): A superpopulação humana, publicado 13/11/2011 por Isis de Anils em http://www.visaoxpassaroazzul.com.br/

 

 

O Mundo de Sofia – O FILME

novembro 1st, 2011 by Isis de Anils

O Mundo de SofiaQual a coisa mais importante na sua vida? Uma pessoa faminta diria: “a comida”. Uma pessoa com frio diria: “o calor”. Com todas as suas necessidades atendidas o homem precisa de algo a mais. Os filósofos dizem que precisamos conhecer quem somos e a razão de nossa existência.

Essa é a proposta do livro “O Mundo de Sofia”, em norueguês Sofies verden, um romance escrito por Jostein Gaarder publicado em 1991, que virou best-seller internacional vendendo mais de 20 milhões de livros. A história também foi transformada em filme na Noruega, dirigido por Erik Gustavson, em 1999.

O romance nos convida a conhecer um pouco da filosofia ocidental – dos pré-socráticos aos pós-modernos. E, através da curiosa personagem Sofia, cujo significado do nome é sabedoria, nos motiva a pensar à respeito de nós. Afinal, quem é você? De onde veio o mundo? Nós existimos de fato? Aonde está Deus?

Em uma das várias passagens intrigantes do filme o personagem Alberto Knox comenta: “Um neurocirurgião era cristão e um astronauta ateu. O astronauta disse: Estive no espaço muitas vezes e nunca vi Deus ou anjos”. Então, o neurocirurgião replica: Operei o cérebro de muitas pessoas sábias, mas nunca vi um pensamento.”

Descartes sustentava que havia uma fronteira evidente entre o espírito e a matéria. Entre a alma e o corpo. Se atirarmos uma maça, quem atira? O corpo ou a alma? Para Descartes havia uma conexão entre o corpo e a alma, algo que influenciaria os processos mecânicos, como o ato de comer uma maça. A essa conexão ele chamou de RAZÃO.

Por isso, se faz necessário o auto-conhecimento. O filósofo Sócrates queria que as pessoas pensassem por si mesmas. Mas, infelizmente, foi sentenciado a morte por querer torná-las seres mais iluminados. Nos tempos modernos ainda continuamos perdidos, pois mesmo com todo esse nosso avanço tecnológico não foi possível preencher o nosso vazio. Mas não devemos abandonar o pensamento crítico. Desse modo, temos de aprender a ver as falsas sombras e saber usar a intuição.

Essas e outras questões são abordadas no filme “O mundo de Sofia”, recomendado a todos que têm paixão pelo conhecimento.

Primeira parte Segunda parte

Cascão e o medo do desconhecido.

outubro 23rd, 2011 by Isis de Anils
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(O dia em que a Terra encheu d’água). Essa é a história do Cascão da Turma da Mônica que não estará nas bancas do Brasil porque não foi aprovada pela Mauricio de Sousa Produções. Mas como existe a internet e temos o Blog Visão (X) Pássaro Azzul, você poderá conferir essa aventura. Recomendável para qualquer idade!

 

Espere! Deixe-me explicar melhor: Mauricio de Sousa é o maior cartunista brasileiro e criador da famosa “Turma da Mônica”, gibizinho voltado para o universo infanto-juvenil, mas que agrada também os adultos. É uma pessoa de muito talento, que admiro demais da conta! Seus personagens com suas aventuras incríveis e cheias de inocência me conquistaram desde a infância, mais precisamente na década de 80.

A historinha que você vai ler agora é o rascunho que foi enviado para concorrer a vaga de roteirista da Turma da Mônica. Para isso, tive de contar uma história breve na forma de quadrinhos (Storyboard). Não era necessário saber desenhar, isso seria a missão do desenhista e arte-finalista. Por isso, você verá um desenho muito tosco, sem colorido e nenhuma qualidade. O importante seria a narrativa e a criatividade.

A Mauricio de Sousa produções me retornou, devolvendo-me o envelope com todo o material, dizendo que o roteiro não tinha o humor da turma da Mônica e nem o ritmo adequado. Bem, não foi dessa vez, pelo menos, ganhei experiência. Entretanto, como foi muito trabalhoso e eu gastei muito tempo com a elaboração, eu não consegui jogar na lata de lixo, por isso, posto o storyboard no Blog, pois é uma historinha que não deixa de falar de nossa natureza humana.

Para quem não sabe, o personagem Cascão tem um medo irracional de água. E a história “O dia em que a Terra encheu d’água” teve como pano de fundo falar do  medo infantil, e, também, faz uma pequena analogia ao medo do desconhecido. O personagem ainda é uma criança, mas há um pouco dessa criança em nós… Confira!

 

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Visão (X): Entrevista

outubro 3rd, 2011 by Isis de Anils

joIsis de Anils entrevista a autora Joana D’arc A. da Silva. Aos 25 anos já tem publicado 7 livros, onde trata de assuntos polêmicos, tais como, pedofilia, drogas, AIDS, homossexualismo, violência contra a mulher etc.

Isis de Anils – Sites na internet têm contribuído para que novos escritores possam publicar seus escritos gratuitamente. Você faz parte dessa nova rede de autores que publicam online. É mesmo fácil publicar pela internet? Que desafios você tem enfrentado?

R: Joana D’arc – Sites como Clube de Autores e AGBOOK, são de grande ajuda pra novos escritores como eu, que não tenho condições financeiras para publicar seus livros. E é muito fácil publicar um livro, é só se cadastrar e começar a publicar seus livros. O único desafio, é que tenho que divulgar sozinha meu trabalho. Seria de grande ajuda, se esses sites, também ajudassem na divulgação de nossos trabalhos.

Isis de Anils – Em suas obras, você aborda temas delicados, tais como, violência contra mulher, suicídio, drogas e AIDS. Esses problemas não são novos e continuam aumentando no Brasil. Existe uma solução para acabar com eles?

R: Joana D’arc – Se nossos governantes investissem em educação, o povo teria informação e com certeza não teríamos tantos problemas. Mas, é muito melhor para o governo, manter o povo ignorante, pois assim é mais fácil manipular. Quem sabe mais, tem que respeitar quem sabe menos. E como fazer isso? Transmita o que você sabe, para quem sabe menos, já um bom começo.

Isis de Anils – Para você, o Brasil continua sendo um país de poucos leitores (entenda como pessoas que consomem livros), ou essa realidade mudou com a era da informação?

R: Joana D’arc – Hoje em dia, com a internet tudo ficou mais fácil, se você quer um livro ou ouvir uma musica, é só fazer um dowload. Por isso, as pessoas começaram a ler mais, pois o acesso a literatura ou cultura ficou mais fácil.

Isis de Anils – No perfil do seu twitter você nos surpreende com a seguinte frase: “Sou o que ninguém vê”. Tendo-a como base, explique-nos, a humanidade está cega para quê?

R: Joana D’arc – A humanidade está individualista. Isso não é certo, temos que pensar no bem de todos, não só no nosso. Temos que mostrar nossa indignação com as injustiças, que acontecem no mundo e não tapar os olhos. Mas, infelizmente é isso que muitas pessoas fazem.

Isis de Anils - O filósofo Jean-Jacques Rousseau diz que o homem nasce bom e a sociedade o corrompe. Você já foi vítima de BULLYING e é autora de livros que retratam a dura realidade brasileira. Diante do que passou e tendo como base seus relatos, você concorda com a frase do filósofo ou acha que o homem já nasce mau?

R: Joana D’arc – Acredito que algumas pessoas já nascem com má índole, e por isso, a sociedade acaba as corrompendo.

Isis de Anils – Em seu Blog você comenta que já sofreu depressão e que chegou a fazer terapia em conjunto. Mas disse que a terapia em grupo não foi uma experiência positiva. Então, no seu caso, a terapia reforçou o problema ao invés de te ajudar? O que você recomenda para as pessoas que sofrem depressão?

R: Joana D’arc – Não ajudou, pois lá todos nós falávamos de nossos medos e problemas, quando saia de lá, ficava com meus problemas e o dos outros na cabeça, por isso parei de fazer a terapia. Como não tinha com quem falar, comecei a escrever. Se você for um depressivo, procure ajuda medica, converse com alguém de sua confiança, e escreva também sobre o que você está sentindo. Escrever é a minha terapia.

Isis de Anils – Joana d´Arc foi uma importante personagem da história francesa durante a Guerra dos Cem Anos. Ela é considerada uma das mulheres mais fortes e guerreiras que o mundo já conheceu. A Joana d´Arc do século XXI, autora de livros e poesias, teria algo em comum com essa ilustre personagem?

R: Joana D’arc – Além do nome, também me considero uma mulher forte e guerreira, pois luto por meus objetivos e meus ideais. Não mudo de opinião para agradar ninguém.

Isis de Anils – Você costuma falar muito sobre a morte em seus escritos. Você a teme?

R: Joana D’arc – Não! Na vida só temos certeza de que um dia todos iremos morrer, então não devemos ter medo. A morte faz parte da vida.

Isis de Anils – Em uma poesia de seu Blog chamada “memórias”, você coloca o amor sem fim como uma memória sob uma cova fria. É esse o destino de quem ama para você? Comente!

R: Joana D’arc – Se você perdeu alguém que você amava, sim. Eu perdi minha irmã, mas tem pessoas que perdeu o pai, a mãe, o filho e etc. E toda vez que vamos ao cemitério, lembramos dos momentos em que tivemos com a pessoa amada, por isso eu digo: “Memória sob uma cova fria”.

Isis de Anils – De maneira geral, em suas poesias, você se refere ao passado como algo muito doloroso. Outras vezes, ele te dá saudade. Lembrar o passado é mesmo o seu maior dilema? Qual seu maior conflito?

R: Joana D’arc – Sim! Apesar de me fazer sofrer, não consigo esquecer o passado. E por isso, acabo em conflito, pois o passado sempre se faz presente.

Isis de Anils – Em seu livro Arddhu, você narra a história de uma personagem que mantém contato com o mundo dos espíritos. Você até comenta que se essas coisas tivessem acontecido no passado a personagem seria condenada a fogueira. E acrescenta dizendo que, hoje, a sociedade coloca no manicômio, pessoas com alguma sensibilidade aflorada. Então, você acredita que a maioria das pessoas que vão parar em uma clínica psiquiátrica são na realidade médiuns incompreendidos?

R: Joana D’arc – Médiuns famosos, em sua juventude, acabaram internados em Clinicas Psiquiátricas. Acredito que uma pessoa que tenha mediunidade e que não saiba lidar com ela acabe internada em uma Clinica Psiquiátrica. Mas, isso não quer dizer que todos os pacientes de um Manicômio ou de uma Clinica Psiquiátrica sejam médiuns.

Isis de Anils – Um papel que você interpretaria se fosse chamada para atuar no cinema?

R: Joana D’arc – Se eu fosse atriz gostaria de interpretar Anita Garibaldi, a corajosa heroína brasileira.

Isis de Anils - Uma palavra que resuma seus escritos?

R: Joana D’arc – Verdade, pois odeio mentira. E em meus escritos, sempre digo a verdade sobre o que estou sentindo e tento sempre passar essa verdade para meus leitores.

Conheça mais o trabalho da escritora Joana D’arc. Acesse seu Blog: http://dark-joana.blogspot.com/ e, também, siga @Darc_Jo

A fonte da felicidade

setembro 18th, 2011 by Isis de Anils

 Não existe receita para a felicidade,

mas há a fonte jubilosa da alma. 

A fonte da felicidade

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 Por Isis de Anils

      O Blog Visão X Pássaro Azzul resolveu criar esse artigo porque partiu do princípio que nós desejamos ser felizes e da premissa básica de que não queremos sofrer, apesar dos casos de depressão terem aumentado consideravelmente nos últimos anos.  Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença atinge 340 milhões de pessoas e causa 850 mil suicídios por ano em todo o mundo. Somente no Brasil, estima-se que há 13 milhões de depressivos. Por isso, ser feliz não tem sido considerado tarefa muito fácil para nós humanos, pois estamos diante de um mundo conservado por padrões, muitas vezes,  inquestionáveis, regras culturais e preconceitos. Mas se quisermos crescer em direção ao nosso centro, teremos de romper com certas questões que já não fazem mais sentido. E quem poderá nos ajudar a quebrar paradigmas? A alma. Viver para ser feliz, ou melhor, não ter a vergonha de ser feliz, tal como a letra de Gonzaguinha tão bem ilustra. A alma é, portanto, transgressora. E transgredir é transcender. A essência vive em um patamar bem mais adiantado que o ego, porque a felicidade não está no exterior, embora precisemos do meio externo para nos exteriorizar e conviver para experimentar. A felicidade é, pois, um dilema para nós que vivemos em sociedade, que temos família, crenças e princípios enraizados.

      Lidar com o ego moralista que sofre com as perdas e teme as mudanças, esse é o objetivo para quem deseja ser feliz. O interesse dele está na preservação, enquanto a alma, em sua busca pela eterna felicidade, produz um desejo complexo: imortalizar-se por transformação. A alma é imoral porque está em constante processo para sabotar a ordem estabelecida. Ela não sofre, quem sofre é o Ego. A felicidade é arriscada quando nos identificamos com o Ego que se preocupa demasiadamente com o que os outros vão pensar. O ego é sempre um produto de um passado, por isso, para ele perder algo já consolidado é difícil. Podemos enumerar diversas situações que ilustram esse fato, como, por exemplo, os casos de profissionais bem sucedidos que vivem infelizes, pois não estão na profissão que a alma necessita experimentar; Casos de pessoas que não abrem mão de certas regras em nome do conservadorismo e machismo familiar, ou com base nos ditames da sociedade; Questões referentes ao amor: casamentos já fracassados, sobrevivendo apenas de fachada, ou por simples convenção e comodismo.

      Renascer na própria vida para encontrar o caminho real, às vezes, é a solução para quem está desiludido. Se abrir para novas experiências, se descobrir, pois o caminho do autoconhecimento leva ao encontro da felicidade, ou seja, da realidade (real-idade). A felicidade se conquista por degraus. Em todas as etapas da vida nós estamos à procura, mesmo que inconscientemente. São trajetórias.Para esse artigo do Visão X Pássaro Azzul considere felicidade e realidade duas coisas interligadas. Se não renascermos nos estágios adequados, não chegaremos à plenitude, afinal, a felic-idade está presente em todas as idades e não significa uma projeção para o futuro.

      Se para ser feliz você precisar mudar alguma coisa em sua vida, seja de casa, de trabalho ou de estado civil, não tema! Não existe nada que não mude e não há problema que persista. Esse é o aspecto positivo da mudança. Se ela é inevitável, a sua aceitação é um importante fator na redução do sofrimento que criamos para fugir de nossa essência. Ter força de vontade e coragem para se desvencilhar de coisas que nos atrasam ou nos prendem é um componente fundamental para quem deseja fazer mudanças significativas.

      Dalai Lama diz que o primeiro passo na busca da felicidade é o aprendizado, saber identificar e cultivar estados mentais positivos e identificar e eliminar estados mentais negativos. A felicidade é determinada mais pelo estado mental da pessoa do que por acontecimentos externos.  Isso tudo pode exigir que efetuemos uma transformação em nosso modo de pensar e isso não é simples, pois é algo a ser cultivado, é um processo. Ser feliz é um caminho a ser percorrido, até porque o mundo foi feito em etapas e os acontecimentos de amanhã dependem muito das ações de hoje.

      A humanidade ainda não atingiu um bem-estar coletivo, peça fundamental para se estabelecer uma Nova Era de prosperidade. Ainda buscamos ser feliz de maneira individual e efêmera, o que não é errado e faz parte da jornada. Mas quando entendermos que a nossa vida depende do ambiente que nos circunda, seremos capazes de ampliar a percepção da realidade, permitindo uma vida mais harmoniosa não só para nós, como também para o próximo. E está claro, também, que os sentimentos de amor, afeto e compaixão auxiliam para nossa elevação. Como o objetivo é sermos felizes e, por fim, alcançarmos a plenitude, devemos prestar atenção às causas e condições que levam a esse objetivo. A felicidade é uma partilha, uma doação que sempre retorna. Talvez seja um trabalho para as próximas gerações, derreter as máscaras com a própria iluminação. Mas se formos sinceros conosco agora poderemos ir desatando os nós que nos prendem à infelicidade. A vida em si é curta e desafiadora, mas vale à pena. Nela estão abertas todas as possibilidades, é nela que se encontra o todo realizável. Por isso, equilíbrio é essencial para uma vida feliz. Não existe receita para a felicidade, mas existe o despertar, o caminho e a solução para cada caminhante encontrar a sua vitória, que contribuirá de uma forma ou de outra para o todo, o *TAO, e porque não?

 

*TAO – (em chinês: 道; Wade-Giles: tao; pinyin: dao) significa, traduzindo literalmente, o caminho, mas é um conceito que só pode ser apreendido por intuição. O tao não é só um caminho físico e espiritual; é identificado com o absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares yin e yang. Conceito/Fonte: Wikipedia: http://pt.wikipedia.org/wiki/Tao

 

Fontes de consulta:

Bonder, Nilton. A alma imoral, Rio de Janeiro, Rocco: 1998.

Cutler, Howard e Dalai Lama. A arte da felicidade: um manual para a vida, São Paulo, Martins Fontes, 2000.

Dalai Lama. Amor, verdade, felicidade. Reflexões para transformar a mente, Rio de Janeiro, Nova Era, 2001.

Walston, Sandra Ford. Coragem: Coração e alma de toda mulher, Rio de Janeiro, Sextante, 2003.

http://www.boehringer-ingelheim.com.br/

Atenção: Ao usar este artigo faça referência ao autor do texto e ao endereço do blog: A fonte da felicidade – publicado 18/09/2011 por Isis de Anils em http://www.visaoxpassaroazzul.com.br/

Brasília na Era do Gelo

agosto 14th, 2011 by Isis de Anils

      Antes de dar prosseguimento aos próximos artigos do Blog Visão X Pássaro Azzul quero falar sobre a minha cidade. Para quem não me conhece, sou filha de Brasília, por isso, ninguém melhor para criticá-la ou elogiá-la. Amo a minha cidade, mas confesso: é uma relação de amor e ódio. Nesse post revelo apenas o lado A da capital. Mas Brasília também tem um lado B que é maravilhoso, fantástico e secreto. Dom Bosco sonhou com esse lugar. Em breve estarei revelando os segredos dessa misteriosa Cidade-Síntese. Aguardem!

Autor: Isis de Anils. Clique na imagem para ampliá-la.

 

      Era agosto. Há exatamente um ano atrás eu me encontrava na Biblioteca Nacional de Brasília. Eu tentava estudar como a maioria das pessoas “normais” fazem para os famosos concursos públicos. Só que eu não conseguia. A presença de uma voz masculina, demagógica, ao fundo, se exaltando, me incomodava demais! Na área externa, no seio da esplanada, estava armada a grande campanha política. Irritada, resolvi liberar a minha energia escrevendo versos naquela biblioteca sem livros, localizada no Complexo Cultural da República, ao lado de um Museu que se assemelhava a uma nave espacial. Aquele Museu e aquela Biblioteca formavam e ainda formam, juntos, o maior centro cultural do Brasil. 

      E, assim, permaneci, desanimada com meus estudos e com as eleições do ano de 2010.

 

(Fria!) 

Brasília é muito fria…

…Fria demais para o calor do meu corpo!

Aqui não se grita,

Nada se solidifica.

O vizinho mora ao lado,

Mas é sempre muito calado,

E a cidade tem crescido,

A quilômetros nunca antes rodados.

Vem gente de todos os cantos

Na esperança de um sonho

Que alguns políticos desalmados consumiram

De olho no próprio umbigo.

Há uma dura camada de gelo

Que tento romper com o poder das mãos.

É a minha emoção entrando em ação,

À espera de um abraço,

Ou de um aperto de mão,

Mas meu coração cheio de amor se

desespera,

Quase congela!

As pessoas caminham distantes…

Indiferentes,

Estão sempre um passo à frente,

Preocupadas com a própria mente…

…Pensando, penando,

Aceitando,

Fechadas estão,

Sem as chaves da porta amada.

…E eu berro calada,

Caminhando pela esplanada,

Ao som das promessas que não param,

Carentes de qualquer preparo.

 (Copyright © Isis de Anils.)

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